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Escavações Arqueológicas no Castro do Monte Castêlo

Escavações Arqueológicas no Castro do Monte Castêlo

03 Mai '24

Na procura das raízes remotas de Matosinhos

Decorre até ao próximo dia 24 de maio, a 8ª campanha de trabalhos arqueológicos no sítio do Castro do Monte Castêlo, também conhecido como “Castro de Guifões”. Os trabalhos arqueológicos de campo, integram-se no Projeto de Investigação Plurianual em Arqueologia GUIFARQ III, para a investigação, valorização e divulgação do sítio arqueológico do Castro do Monte Castêlo (Guifões, Matosinhos). Serão realizados como parte integrante do módulo de formação prática em técnicas de escavação arqueológica da licenciatura de Arqueologia da FLUP, contando assim com a participação dum grupo de estudantes finalistas desta instituição.

A realização destes trabalhos resulta dum protocolo de colaboração estabelecido entre a Câmara Municipal de Matosinhos, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a APDL – Administração do Porto de Leixões, proprietária da parcela de terreno onde será realizada a intervenção arqueológica. Este trabalho conta ainda com o apoio da União de Freguesias de Guifões, Custóias e Leça do Balio. O projeto corrente – GUIFARQ III - conta ainda com mais uma entidade em parceria – o Museu D. Diogo de Sousa – que apoiará no restauro de materiais e artefactos recolhidos.

Colabora ainda neste projeto o laboratório do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO – INBIO), para realizar a reconstituição das espécies vegetais existentes ou consumidas na Antiguidade a partir de amostras de carvão recolhidas na escavação. Estas análises realizam-se no âmbito de uma bolsa de doutoramento financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Este projeto assenta na prossecução de um duplo objetivo, em que se associa a componente de investigação científica ao processo dinâmico de ensino e aprendizagem prática das técnicas de escavação arqueológica, fazendo do Castro do Monte Castêlo uma estação-escola para os estudantes da Licenciatura em Arqueologia.

Os eixos de investigação que estão a ser prosseguidos procuram reconstituir os padrões de utilização deste espaço e a sua evolução ao longo do tempo. Neste âmbito é muito importante procurar definir como se processa a transição entre os grandes momentos históricos, nomeadamente entre o mundo pré-romano da Idade do Ferro e a integração da região no espaço mais vasto do Império Romano.

Esta campanha de trabalhos arqueológicos dá continuidade à investigação científica realizada neste local desde 2016 com resultados muito auspiciosos para o conhecimento do sítio onde se situam as raízes remotas de Matosinhos.

Na área em estudo já se identificaram diversos muros, que corresponderiam à existência naquele local de duas casas do tempo do Império Romano e outros muros que parecem ter pertencido a construções mais antigas aqui existentes. Foram recolhidas ainda, para estudo posterior, numerosos fragmentos de cerâmicas, assim como amostras de sementes, que deram indicações preciosas para a reconstituição dos diversos aspetos da vivência quotidiana das populações que habitaram este local há cerca de 2000 anos.

Sobre o sítio arqueológico do Monte Castêlo

O lugar do Castro do Monte Castêlo em Guifões (Matosinhos) é um ponto fulcral para a história de Matosinhos e da região da Área Metropolitana do Porto. Efetivamente é aqui que se localizam as raízes enterradas da primeira povoação de Matosinhos, tendo sido habitada desde antes do século V antes de Cristo até meados do século V da Era cristã.

Por toda a área do Monte, desde o topo até à base, junto ao Rio Leça, existem indícios de estruturas arqueológicas enterradas definidas por alinhamentos de alicerces, plataformas artificiais e materiais à superfície. Na zona ribeirinha junto ao Rio Leça, perto da ponte e do moinho, poderá ter existido um pequeno fundeadouro ou porto de época romana, uma vez que este local situa-se na extremidade do antigo estuário do Rio Leça (atualmente ocupado com as docas do Porto de Leixões) onde se registam diversas evidências da chegada de mercadorias vindas de pontos longínquos do Império Romano, nomeadamente através da presença de ânforas e outros objetos fabricados em oficinas do sul da península itálica, do norte de África e do Sul da península ibérica.

Muitos dos artefactos recolhidos nos trabalhos arqueológicos no Castro do Monte Castêlo, encontram-se expostas no Museu da Memória de Matosinhos, tais como Cerâmica local da Idade do Ferro, Cerâmica Comum Romana, Cerâmica finas de produção Hispânica e Africana, recipientes de transporte como ânforas, e ainda um grande dolium para armazenamento de cereais. Para além desta abundância de materiais, ainda é possível visualizar artefactos de iluminação, como as lucernas e alguns utensílios relacionados com a pesca.

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Conteúdo atualizado em3 de maio de 2024às 12:08